Megaleilão do pré-sal alcança R$ 70 bilhões, maior valor arrecadado em leilões de petróleo

Megaleilão do pré-sal alcança R$ 70 bilhões, maior valor arrecadado em leilões de petróleo

Megaleilão do pré-sal alcança R$ 70 bilhões, maior valor arrecadado em leilões de petróleo


VEÍCULO: G1 – CADERNO:ONLINE – DATA: 07.09.2020   

Petrobras ficou com 90% do maior campo de petróleo marítimo do mundo, junto com duas empresas chinesas, e arrematou outro sozinha. Os campos de Atapu e Sépia ficaram sem ofertas.

O chamado megaleilão de petróleo do pré-sal arrecadou, nesta quarta-feira (6), R$ 70 bilhões. Foi menos do que se esperava. Mas, ainda assim, um recorde mundial em leilões desse tipo.

A Petrobras ficou com 90% do maior campo de petróleo marítimo do mundo. Búzios foi arrematado junto com duas empresas chinesas, que terão participação de apenas 5% cada uma. As três empresas vão pagar R$ 68 bilhões pela assinatura do contrato. E, no futuro, vão destinar à União 23% do lucro da produção.

A Petrobras também arrematou sozinha o campo de Itapu, com bônus de R$ 1,7 bilhão. A empresa vai repassar ao governo 18% do lucro. O valor de quase R$ 70 bilhões nas duas áreas é o maior já arrecadado em leilões de petróleo no mundo.

“Leilão você pode não vender nada, pode vender tudo, pode vender metade. Então, em um leilão que você consegue arrecadar praticamente 70% do total, para mim é um sucesso absoluto”, diz Adriano Pires, consultor e diretor do CBIE.

Os campos de Atapu e Sépia, que juntos valiam R$ 36,5 bilhões, ficaram sem ofertas. “Hoje foi uma decisão específica. Analisando esses módulos, eles não passaram no nosso critério de rateio”, afirmou André Araújo, presidente da Shell Brasil.

“Eu não tenho dúvidas de que, em 2020, essas áreas estarão sendo ofertadas e serão... Esse leilão será exitoso”, disse o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque.

A Agencia Nacional do Petróleo já havia admitido a possibilidade de que nem todas as áreas fossem arrematadas. Algo considerado normal no setor.

As grandes multinacionais do petróleo acabaram desistindo do leilão. A Petrobras foi a vencedora de uma disputa que não teve concorrência. Desde 2010, a estatal brasileira opera nessas duas áreas que não receberam ofertas. Segundo especialistas, esse fato acabou representando um risco, dificultando a participação das empresas estrangeiras.

Como a Petrobras já fez investimentos nesses campos, ela teria que ser indenizada pelo vencedor. Mas o valor não estava definido.

“Isso cria empecilhos para que outras empresas possam entrar. Teria que, necessariamente, após a licitação negociar o acordo com a Petrobras para compensar a Petrobras pela sua entrada. Isso gerou um grau de certeza inevitável”, explicou Décio Oddone, diretor-geral da ANP.

“Eu acho que o que frustrou um pouco, talvez, foi a ausência das grandes petroleiras. Talvez o bônus tenha sido elevado demais para as outras empresas’, diz Adriano Pires.

 

O leilão afetou o mercado. O dólar subiu mais de 2%. A bolsa fechou em queda, mas ações da Petrobras foram as mais negociadas e tiveram leve alta.

Agora, a divisão do total arrecadado ficou assim: metade dos R$ 69 bilhões vai para a Petrobras, como indenização pela repactuação dos contratos; o governo federal vai ficar com R$ 23,7 bilhões e pode aliviar o contingenciamento de recursos do orçamento que estavam bloqueados; R$ 5,3 bilhões irão para os estados; e municípios vão dividir um valor igual.

O presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, comemorou o resultado. E disse que a empresa está preparada para fazer os investimentos necessários. “Nós lamentamos que não tenha despertado interesse de outros players internacionais. O que importa para nós é a Petrobras. Temos competência técnica, temos capacidade financeira. Esse projeto é absolutamente consistente com a nossa estratégia”.